Aumento do preço da madeira x Redução do IPI

 

Aumento do Preço da Madeira Pode Anular a Redução do IPI de Móveis em Santa Catarina

 

 

A alegria dos consumidores das classes C e D, que viram na isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos móveis um incentivo para redecorar o lar, está ameaçada. O aumento de 8,5% no preço dos painéis de madeira — aplicado desde o início do mês — pode comprometer o repasse do desconto nos próximos meses.

 

Os painéis de madeira, como o MDF ou MPF, já haviam sofrido reajuste entre 6% e 8% em outubro, um mês antes da isenção do imposto, como lembra o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Fernandez. Os mais afetados seriam os móveis populares, nos quais a chapa de madeira representa 60% do preço.

 

Esses aumentos colocam em risco o acordo com o governo, que reduziu o IPI com a condição de o desconto ser repassado na ponta.

 

— Nós entendemos que os fabricantes (dos painéis de madeira) estão com margens de lucro sacrificadas, mas pedimos que o aumento fosse adiado para abril, quando termina o prazo de isenção do imposto, ou que fosse parcelado, o que não ocorreu — afirma Fernandez.

 

Em nota, a superintendente executiva da Associação Brasileira da Indústrias de Painéis de Madeira (Abipa), Rosane Dill Donati, justificou o reajuste devido à difícil situação pela qual passa o setor.

 

As indústrias estariam sofrendo com queda nas vendas no mercado doméstico, em 20%, e nas exportações, em 30%, somente no primeiro trimestre do ano passado. Tudo em consequência da crise econômica internacional.

 

Quanto aos aumentos, Donati não soube precisar, já que, segundo ela, a associação não interfere e nem formula política de preços, que são posturas individuais das empresas.

 

 

No Brasil, há apenas oito indústrias de painéis de madeira para atender mais de 17 mil fábricas de móveis. O presidente da Associação Regional da Empresa Moveleira de Santa Catarina, Carlos Mattos, afirma que a concentração de empresas no setor se reflete no preço da matéria-prima.

 

— O consumidor está esperando redução de preço, e a fábrica tem de aumentar, porque a matéria-prima está encarecendo. Fica uma posição contraditória às expectativas do mercado — lamenta.

 

Mattos afirma que o aumento do preço praticado em outubro foi absorvido pelas indústrias e não houve repasse ao varejo. O que o preocupa é o novo reajuste do início deste ano, que ainda não chegou às fábricas de móveis.

 

Ele diz que as indústrias de painéis de madeira não estão entregando mercadoria, nem aceitando pedidos ou orçamentos:

— Está um comportamento estranho, fica tudo no ar. Não sabemos se é problema de entrega, aumento de demanda ou as férias coletivas das empresas. Só temos a constatação de que falta fornecimento — constata.

 

O presidente diz que, desde outubro, estão buscando matéria-prima na Argentina, que chega com preço similar, mas leva mais tempo por causa da logística.

 

Varejo quer manter preço baixo

 

Satisfeito com o aumento nas vendas desde a isenção do IPI, o varejo promete brigar para manter os preços baixos nas lojas.

 

O gerente comercial da rede Berlanda, Gilson Bogo, afirma que o varejo não está disposto a pagar por isso porque, se repassar o aumento, o preço dos móveis voltará ao patamar de antes da redução do IPI. Na rede, as vendas de móveis aumentaram 10% em dezembro.

 

Na rede de lojas Koerich, o aumento nas vendas também foi de 10%. O gerente de compras Edair Werlich acredita em especulação diz que, se houver reajuste, vai tentar negociar com os fabricantes.

 

— Se o varejo não aceitar, as fábricas não vão vender e a indústria de chapas não fornecerá matéria-prima. Toda a cadeia produtiva depende muito do varejo.

 

A isenção do IPI para móveis está prevista para terminar em 31 de março. A medida foi uma reivindicação do setor, que teve queda de até 10% ao mês entre maio e outubro de 2009, com perda de 30 mil empregos diretos, que representa 11% da força de trabalho, segundo a Abimóvel.

 

Com a crise financeira que se espalhou pelo mundo em 2008, as exportações catarinenses de móveis caíram de 80% em 2007 para algo entre 60% e 70% em 2009, na avaliação de Carlos Mattos.

 

A expectativa também é grande entre os consumidores, que estão aproveitando a baixa dos preços para comprar. É o caso da copeira Eliana Maria Santos, que aproveitou a redução para comprar um roupeiro novo para o quarto.

— Levei por R$ 800 um modelo que antes custava cerca de R$ 1 mil — afirma.

 

Fonte: Portal Madeira Total


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