Carvalhaes analisa crise e perspectivas para 2010

Por Valter Jossi Wagner

 

16/11/2009 - A presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes participou na manhã desta segunda-feira do 4º Congresso Latino Americano sobre Perspectivas do Setor de Celulose e Papel e falou sobre o papel do Brasil na atual indústria global de celulose.

 

Segundo Carvalhaes, o ano de 2009 foi muito difícil para o setor de celulose e papel. “Esse foi o ano em que o mundo todo entrou na onda da crise mundial da economia, que atingiu a todos os setores e o de celulose foi não ficou de fora. ”Mergulhamos numa crise econômica com diversos problemas ao mesmo tempo. Mas como o primeiro do mundo, tínhamos que reagir rápido e encontrar imediatamente as oportunidades”, comenta.

 

Na opinião da executiva, o setor teve que caminhar com suas próprias pernas e culpou o Governo brasileiro por sua posição seletiva. Segundo ela, o Governo ajudou com incentivos alguns setores da economia, mas deixou o setor de C&P de lado. “Nesta triagem, o setor tentou negociar com o Governo alguns aportes de investimentos , mas os resultados foram negativos. Ttivemos que sobreviver com nossos próprios aportes e sem ajuda nenhuma do Governo”, declarou a presidente da Bracelpa.

 

A palestrante sinalizou que mesmo sem a ajuda do Governo, investimentos foram concluídos e grandes fábricas foram inauguradas. Elizabeth Carvalhaes avaliou que o setor está à frente de seus concorrentes, neste momento que o mundo começa a se recuperar. “Mesmo com a crise já ultrapassamos em 5% a produção de 2008. O Brasil é único país do mundo que aumentou a sua produção de celulose, a nossa produção de papel teve uma queda, mas menor que a de outros produtores”, comenta.

 

Diante deste cenário, tudo indica que o setor não vai fechar o ano de 2009 com as mesmas receitas de 2008 que delinearam um crescimento de 16%, mas certamente registrará uma perda de 22% na rentabilidade.

 

Para Carvalhaes, a crise é de fato uma oportunidade para países emergentes, mas o setor tem que estar atento, porque a competitividade vai aumentar. O Brasil é o maior produtor, mas perde em competitividade. A executiva disse que o Brasil precisa levar para Copenhagen um pauta ambiciosa, porque será o grande vendedor de clima, para a futura commoditie chamada crédito de carbono. “O setor de celulose e papel tem um foco claro sobre os créditos de carbono. Os créditos têm que ser comercializados na Europa, uma vez que a Europa não compra créditos de carbono florestal e isto tem que mudar”, avalia.

 

Outro assunto tratado pela palestrante, foi a certificação das florestas. Hoje, o Brasil possuí cerca de 3 milhões de florestas certificadas e este será o grande marco da sustentabilidade. Ela informou à plateia que o setor joga na atmosfera cerca de 21 milhões de toneladas de carbono, mas sequestra 64 milhões de toneladas. “Acreditamos que 2010 vai ser o ano da consolidação e não podemos separar economia do clima. A economia mundial vai se voltar para o clima e esta será a direção de todas as economias mundiais”, expressa.

 

Fonte: Celulose Online.


© Lado Direito Soluções